O CICLO DO NITROGÊNIO

Marcos Mataratzis

– Moço! Vou levar este aquário para colocar uns peixinhos. O que preciso levar além do aquário e dos peixes e como proceder?

– A senhora vai precisar de um filtro e anti-cloro. Quando chegar em casa, a senhora coloca água no aquário, pinga o anti-cloro, liga o filtro e pode colocar os peixes.

Quem já não presenciou um diálogo como esse? O despreparo dos atendentes das lojas de peixes é um dos grandes entraves para a evolução do aquarismo. Tenho certeza que esta moça do diálogo se decepcionou muito com o aquarismo quando viu seus peixes, um por um, morrerem “inexplicavelmente”.

A primeira coisa que devemos ter em mente ao montarmos um aquário é escolher sua fauna. O tamanho do aquário assim como seu sistema de filtragem devem estar de acordo com os habitantes que pretendemos colocar dentro dele.

A escolha da fauna deve ser criteriosa, levando em consideração não apenas a aparência dos peixes mas também suas necessidades com os parâmetros da água e alimentação mas acima de tudo, a água do aquário já deve estar madura para receber seus primeiros habitantes. Por madura, entenda-se que ela já passou pelo período que chamamos de ciclagem.

O Ciclo do Nitrogênio

Todo material de origem orgânica gerado pela decomposição seja de restos de alimentos ou dos dejetos dos habitantes de um aquário acabam, invariavelmente, se transformando em amônia já que os aminoácidos presentes nas proteínas possuem um grupo amino (- NH2) em sua estrutura:

R – CH (NH2) – COOH

Este grupo amino capturando um átomo de hidrogênio se transforma em amônia, NH3. Amônia é uma substância bastante nociva para os peixes e precisa ser removida de alguma forma. O acúmulo desta substância no aquário leva a maioria dos peixes à morte por envenenamento ou asfixia.

Na natureza existem bactérias aeróbicas, chamadas Nitrosomonas que transformam a amônia em ácido nitroso (que passaremos a chamar de nitritos), conforme a reação abaixo:

NH3 + [sup]3[/sup]/2 O2 —> H[sup]+[/sup] + NO2[sup]-[/sup] + H2O + 58 a 84 Kcal/Mol

Tais bactérias usam aquela energia gerada pela reação em seu metabolismo. Os nitritos gerados também são bastante prejudiciais para os peixes. Felizmente, um outro grupo de bactérias também aeróbicas, chamadas Nitrobacter oxidam os nitritos transformando-os em nitratos:

NO2[sup]-[/sup] + 1⁄2 O2 —> NO3[sup]-[/sup] + 15,4 a 20,9 Kcal/Mol

Novamente, essas bactérias se nutrem da energia liberada pela reação. Os nitratos formados são menos nocivos do que a amônia ou os nitritos mas também devem ser removidos. Nitratos são fonte de nutrientes para as plantas. Daí a importância de tê- las em um sistema fechado como um aquário.

O tempo necessário para que tais colônias se estabeleçam em nossos aquários varia com uma série de fatores como temperatura, tipo de substrato, pH e teor de oxigênio da água sendo difícil precisar o tempo exato mas, via de regra, leva de 30 a 40 dias.

Leva cerca de 8 a 10 dias para que as bactérias que consomem a amônia se estabeleçam e comecem a agir. Quando isto acontece os níveis de nitrito sobem e atingem seu máximo lá pelo 15° dia. É hora agora da outra colônia de bactérias começar a transformar os nitritos em nitratos. Em condições normais, os nitratos sobem indefinidamente, ultrapassando a concentração dos nitritos entre 20 e 25 dias. A essa altura, a amônia já deve estar sob controle. Quando os nitritos finalmente estiverem zerados é sinal que já existem bactérias suficientes para consumir tais substâncias no aquário. Atente para o fato que nessa hora, a concentração de nitratos estará bem elevada. Geralmente fazemos uma troca parcial de água nesse momento para diminuir tais níveis e deixar a água pronta para receber seus primeiros habitantes.

Estudos recentes mostram que uma ciclagem pode acontecer na faixa de temperaturas que vai de 4 a 45°C. Tais estudos também mostram que as Nitrosomonas se multiplicam melhor a 35°C enquanto as Nitrobacter tem como temperatura ótima de 35 a 42°C.

Outra informação recente é que de todas as bactérias contidas em aquários cerca de 20% apenas são Nitrosomonas (amônia -> nitritos). 50% delas são do gênero Nitrosococus (nitrito -> nitratos) e 9% são Nitrospiras (amônia -> nitritos). Os 21% restantes ainda são desconhecidas mas não incluem as Nitrobacter, presentes na natureza.

Obs. A colaboração é voluntária

Marcos Mataratzis é professor de Química no Colégio Pedro II

Victor Santos

Founder em Aquarismo Brasil
Fascinado por pesca e aquários desde crianças, começou com um aquário de 72L de Guppys e hoje esta no 1260L com jumbos.

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