Proteínas na nutrição de peixes ornamentais

O texto a seguir é parte de um artigo escrito pelo Médico veterinário Rodrigo G. Mabília

PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS

As proteínas são compostos orgânicos formados por diversos aminoácidos. Existem diferentes tipos de proteínas caracterizadas pela proporção e posição dos aminoácidos que as compõem. Sendo assim os aminoácidos são os componentes estruturais básicos de qualquer proteína. Uma proteína sempre conterá na sua composição carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, entretanto algumas vezes poderá conter enxofre, fósforo e ferro.

Os peixes possuem proteínas dispostas em uma grande variedade de tecidos tais como: ossos, pele, órgãos, musculatura, etc. A proteína corporal está constantemente sendo resposta por dois processos: anabolismo e catabolismo.

Anabolismo: refere-se a síntese de proteína no organismo.

Catabolismo: refere-se a quebra da proteína no organismo.

O METABOLISMO DAS PROTEÍNAS

O metabolismo das proteínas nos peixes é semelhante aos animais terrestres onde basicamente são hidrolisadas a aminoácidos e estes posteriormente são aproveitados pelo organismo. Na primeira etapa os grupamentos amino são removidos dos aminoácidos através da transaminação do alfa-cetoglutarato em gutamato. O glutamato é o único aminoácido com a capacidade de perder seu grupamento amino através da desaminação promovida pela enzima glutamato desidrogenase, resultando na liberação da amônia.

A partir deste momento surge uma diferença básica: nos animais terrestres a amônia é transportada ao fígado e entra no ciclo da ureia que é o principal produto da excreção nitrogenada; na grande maioria dos peixes a amônia é transportada como glutamina até as brânquias e convertida a glutamato e amônia pela enzima glutaminase. Esta amônia finalmente é eliminada por difusão para a água do meio ambiente.

É importante salientar que os peixes de uma maneira geral alimentam-se para atender seus requerimentos de energia. Por esta razão o balanceamento entre os níveis de proteína e energia durante a formulação de dietas para peixes é muito relevante sob o ponto de vista nutricional e econômico. Os peixes possuem baixo requerimento energético e alto requerimento proteico o que agrega um elevado custo das rações comerciais.

Rações ricas em energia causam restrição alimentar nos peixes e muito provável estes não satisfarão seus requerimentos proteicos acarretando numa queda na taxa de crescimento.

Em relação aos aminoácidos existem um grupo de 10 aminoácidos que não podem ser sintetizados por vertebrados e inclusive os peixes. Estes aminoácidos que não são sintetizados pelos peixes são denominados de aminoácidos essenciais. Desta maneira são de grande relevância sob o ponto de vista da nutrição animal, pois devem ser suplementados na dieta. Os aminoácidos essenciais são: a arginina, histidina, lisina, isoleucina, leucina, metionina, fenilalanina, triptofano, valina e treonina.

Existem uma série de outros aminoácidos que os peixes podem sintetizar em seu organismo. São denominados tecnicamente de aminoácidos não essenciais. São considerados não essenciais porque não precisam ser acrescentados na dieta obrigatoriamente. Os aminoácidos não essenciais são: a alanina, aspargina, ácido aspártico, cisteína, cistina, ácido glutâmico, glutamina, glicina, hidroxiprolina, prolina, serina e tirosina.

O incremento de aminoácidos essenciais na ração procedem de duas formas: sintetizados e adicionados um a um na ração, ou através de uma fonte protéica especifica (farinha de peixe, farelo de soja, etc…). Estes cuidados na formulação representam um incremento adicional no custo de uma ração para peixes. Seria uma negligencia formular uma ração coma falta de um destes aminoácidos essenciais. Quando um aminoácido essencial está deficiente em uma dieta, este é considerado um aminoácido limitante, porque limita a síntese proteica nos diferentes tecidos. Assim se estabelece uma deficiência nutricional.

O correto balanceamento dos aminoácidos de uma ração é importantíssimo, porque quando há desbalanceamento não ocorre um aproveitamento total da proteína da dieta e maior será a excreção de proteína pelas fezes e amônia na urina e brânquias.

Com estas considerações podemos compreender a importância da qualidade das proteínas na nutrição de peixes. É muito importante colocar aos prezados leitores que a qualidade da proteína é muitas vezes mais relevante que a própria quantidade deste nutriente numa ração.

Anotem esta frase para quebrar um paradigma estabelecido por uma prática de marketing muito baixa:

UMA RAÇÃO NEM SEMPRE É MELHOR DO QUE A OUTRA POR CONTER UMA QUANTIDADE MAIOR DE PROTEÍNA.

Algumas marcas apelam ao consumidor iludindo que o fato de sua ração conter X% de proteína a mais que seu concorrente é melhor.

Lamentável esta pura falta de conhecimento de quem oferece palestras fundamentadas nesta teoria. Se vocês prezados aquaristas ouvirem uma barbaridade deste tipo não poupem esforços em suas críticas.

Uma dieta hiperproteica , ao contrário pode causar danos a saúde de algumas espécies de peixes de acordo com o seu hábito alimentar e fase de vida.

Altas taxas de proteína (proteína de boa qualidade obviamente) são importantíssimas para peixes jovens e espécies de hábito alimentar carnívoro e onívoro com uma certa tendência a carnívoros.

Referencias: Rodrigo G. Mabilia

Médico Veterinário, Msc. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Victor Santos

Founder em Aquarismo Brasil
Fascinado por pesca e aquários desde crianças, começou com um aquário de 72L de Guppys e hoje esta no 1260L com jumbos.

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